Cabo Ruivo e o Tejo

Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo

A história da aviação em Cabo Ruivo começa com uma companhia aérea e dois homens famosos. Nos anos 30 a PAN AM pretende expandir as suas rotas comerciais e contrata Charles Lindbergh.Vista aérea do Aeródromo de Cabo Ruivo O herói da aviação, que faz uma viagem de reconhecimento à Europa com início em Nova Iorque. Voa via Terra Nova e o Círculo Polar Ártico, parando em vários países europeus até Portugal, última escala no continente. Chega a Lisboa com a esposa Anne no seu hidroavião Lockheed Sirius no dia 15 de Novembro de 1933. Estabelece contacto com o Almirante Gago Coutinho, também ele pioneiro das viagens aéreas, para a concessão de direitos de tráfego aéreo para o Continente e o arquipélago dos Açores.

 Pan American Clipper III

As negociações com o governo Português continuaram e em 16 de Agosto de 1937. A PAN AM é autorizada a efetuar o voo de ensaio, Nova Iorque – Bermudas – Horta – Lisboa – Marselha – Southampton e regresso a Port Washinton. É utilizado um hidroavião modelo Sikorsky S-42. Em 1938 ultima-se a construção da base da PAN AM em Cabo Ruivo, com edifício de Alfândega, ponte-cais de amaragem e depósitos subterrâneos de combustível. Clipper em Lisboa Cabo RuivoEntre Janeiro e Junho de 1939 os aviões Boeing 314 Clipper são entregues à companhia aérea. Criadas todas as condições necessárias, o primeiro voo regular de passageiros entre a América e a Europa conclui a travessia do Atlântico no Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo no dia 29 de junho de 1939. O avião batizado de “Dixie Clipper” saído de Port Washington no dia anterior e terminando o voo em Marselha, onde chegará com os seus 22 passageiros e 11 tripulantes após 28h e 50m de voo.

A conclusão do Aeroporto da Portela

 Com a conclusão do Aeroporto da Portela em finais de 1942 e para o complementar é lançado o projeto da construção de um verdadeiro aeroporto marítimo em Cabo Ruivo.  As obras compreendem a dragagem, construção dos molhes e entrada da doca. O projeto prevê a  construção de 6 cais acostáveis e de serviço e dois planos inclinados usados para retirar os hidroaviões da doca. É também efetuado  a regularização da margem do Tejo desde a Matinha a Beirolas. A Avenida Entre-os-Aeroportos (atual Avenida de Berlim) foi também construída para permitir fazer a ligação por automóvel entre os voos de longo curso de e para a América que se efetuavam por hidroavião e os voos de pequeno curso para a Europa e África com partida e destino no aeroporto terrestre.

Desembarque no Aeroporto Maritimo de Cabo RuivoDurante a 2ª Guerra Mundial Portugal é um pequeno oásis numa Europa em chamas é Lisboa e os seus aeroportos fervilham com espiões e diplomatas, refugiados e exilados, contrabandistas e especuladores. Por Cabo Ruivo e pelos luxuosos Clippers da PAN AM passaram os famosos e os ricos, entre o perigo da guerra e a miragem da liberdade do outro lado do oceano. Foi esta a época de ouro dos grandes hidroaviões. Com o fim da guerra a travessia aérea transatlântica passa a ser efetuadas pelos modernos aviões de longo alcance que descolam e aterram nos novos grandes aeroportos terrestres, sendo os hidroaviões são relegados para rotas progressivamente mais periféricas. Durante este período são produzidos alguns dos mais magníficos hidroaviões de sempre, como os Short Solent utilizados pela Aquila Airways que faziam escala no Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo a caminho da Madeira, proporcionando aos seus passageiros, tal como os Clipper, uma experiência de voo em 1ª classe difícil de igualar.

O flutuador que vai servir para embarque de passageirosHoje o espaço antes ocupado pelo Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo é um dos mais aprazíveis de Lisboa. Toda a área envolvente foi recuperada a quando da realização da EXPO’98 (Exposição Internacional de Lisboa de 1998), tendo o Oceanário de Lisboa sido construído na Doca dos Olivais, junto à rampa Sul, que tal como a rampa Norte e os cais de acostagem ainda hoje existe. Já não há aqui hidroaviões (por enquanto), mas é possível fazer kayak e vela ou gozar dos jardins e relvados circundantes enquanto se imaginam os grandes quadrimotores a sair para o Tejo rumo a um horizonte longínquo.

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